domingo, 29 de janeiro de 2012

Os 100 anos do "Quebra"

Em 1 de fevereiro de 1912 Maceió viveu um fato marcado pelo preconceito e pela intolerância religiosa. Conhecido como Quebra de Xangô, o episódio se constituiu na perseguição e destruição dos terreiros onde eram realizados os rituais religiosos de matriz africana. O quebra-quebra foi praticado pelos integrantes da Liga dos Republicanos Combatentes, grupo destinado à agitação popular contra o Governo do Estado na época.

Para praticar tal ato que silenciou os terreiros na capital alagoana foi utilizado o pretexto de que o governador do Estado e outros integrantes do Partido Republicano Conservador protegiam e frequentavam as sessões de Xangô.  Depois de toda a destruição, houve a ascensão do Partido Democrata, que contava com a influência da Liga dos Combatentes. Juntos, eles continuaram a perseguir e a impedir a reorganização das casas de culto afro em Maceió.

Além da destruição dos locais e dos objetos que faziam parte dos cultos afros, a Operação Xangô - como ficou conhecida - também foi responsável por muitos atos de violência e morte. Um dos casos mais famosos é o da ialorixá e dona de um terreiro conhecida como Tia Marcelina, que recebeu um golpe de sabre na cabeça no dia do quebra-quebra, ficando caída no chão e banhada em sangue. Outro caso emblemático é o de um descendente de africanos chamado Manoel Martins, que teve o cavanhaque arrancado com epiderme e tudo.

Como a violência e a perseguição continuaram com o novo Governo, os cultos afros só voltaram a acontecer em Maceió anos depois do episódio. Mesmo assim, de forma silenciosa, numa modalidade chamada de "Xangô Rezado Baixo" - sem os toques dos tambores. Hoje, alguns objetos resgatados das Casas de Xangô compõem a Coleção Perseverança, que faz parte do acervo do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas. Vale a pena dar uma conferida...

Na próxima quarta-feira, o episódio completa 100 anos e uma série de ações estão programadas para acontecer ao longo da semana. Apesar de um século ter se passado, os seguidores de cultos de matriz africana ainda sofrem com o preconceito pelo Brasil afora. E olhe que estamos falando de um País miscigenado, onde todos temos um pouco de negro, de branco, de mulato, de índio... e onde atitudes preconceituosas, mesmo que nos dias de hoje não acarretem em destruição e violência, deveriam ter deixado de existir há muito tempo.

Uma das coisas mais belas da vida é o respeito ao próximo. É o respeito às outras crenças e costumes. É a consciência de que nos tornamos mais "ricos" cada vez que essas diferenças são compartilhadas, de peito e mente abertos sempre!

Um viva às diferenças existentes entre nós, iguais!

 Axé!

PS.: A foto que ilustra o post é da Agência Alagoas.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Vamos deletar?

No primeiro post de 2012 quero propor uma coisa a vocês. Que tal aproveitarmos o ano novinho em folha para excluirmos da nossa vida tudo aquilo que nos faz mal? Esse tem sido o meu primeiro exercício do ano. Pode ser desde um velho hábito a uma pessoa que só te passa energia negativa. Vale tudo. O importante é ficar bem.

Mas o exercício vai além de excluir tudo aquilo que é ruim. Esse é apenas o primeiro passo. Depois de fazer isso, você deve procurar algo que te faz bem para preencher o espaço que ficou. Parece fácil, mas não é. Para admitirmos que algo nos faz mal é preciso olhar para dentro de nós com um olhar crítico e perceber que alguma coisa poderia ser diferente, melhor. É preciso que tenhamos, antes de tudo, um mínimo de autoconhecimento.

E, aqui pra nós, esse tal de autoconhecimento é uma das coisas mais complicadas com as quais já me deparei nessa vida. Muitas vezes, por mais que eu tente, não consigo entender minhas próprias atitudes, escolhas, pensamentos e até sentimentos. É nisso que tenho "trabalhado", pois preciso encontrar o porquê de certas coisas.

Não vale a pena deixar registrado aqui o que me fazia mal e que já foi excluído por mim, afinal, como eu disse, foi realmente excluído, nem me lembro mais! Quanto aos espaços que ficaram eu os tenho preenchido com músicas, filmes, com a prática da natação e com trabalho. Meus dias, aos poucos, têm sido mais felizes.  

Que tal fazer o teste você também? A vida é tão curta para desperdiçarmos com o que não vale a pena...

Pense nisso!

domingo, 18 de dezembro de 2011

Ser blogueiro é...

- "Guardar" boas histórias e até mesmo pensamentos banais na Internet... 
- Aguardar ansiosamente um comentário...
- Twittar o link do novo post uma dezena de vezes até perceber que o número de acessos aumentou...
- Compartilhar o link do último post no Facebook e esperar que seus amigos façam o mesmo...
- Comentar sempre nos seus blogs preferidos...
- Fazer amizades virtuais...
- Conhecer novos lugares, costumes e pessoas sem precisar sair de casa...
- Perceber que aquele post que não parecia tão bom foi o mais visitado...
- Perceber também que o seu texto preferido não teve nenhum acesso...
- Encontrar talentos que estão espalhados pelo Brasil afora...
- Dividir tristezas e alegrias com todos aqueles que se disporem a passar cinco minutos "ligados"
 no seu blog...
- É visitar e ser visitado...
- É colocar a atualização do blog entre a sua lista de afazeres da semana...
- É inserir o endereço do blog na sua descrição das redes sociais e até mesmo no currículo...
- É ficar feliz ao ser parado na porta do supermercado e ouvir um desconhecido perguntar se você é "aquela" blogueira...
- É ter orgulho de compartilhar pensamentos transformados em palavras...
- É um estilo de vida.

Nesse mês de dezembro, o Com a Palavra... completa três anos de existência. De 2008 até hoje muitos foram os assuntos tratados aqui no blog, alguns dos quais renderam boas discussões. Quando esse espaço foi criado, eu não sabia ao certo até quando poderia mantê-lo vivo, mas hoje percebo como estar aqui me faz bem e o quanto a companhia de todos vocês, leitores, é importante para mim.

Obrigada por todos os comentários, pelas visitas frequentes e pela companhia de sempre. Tenham certeza de que vocês tornam os meus dias muito mais felizes!

E vida longa ao Com a Palavra...


quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Seguindo para 2012

E 2011 chega ao final. É época de fazer balanços, rever projetos, renovar a alma e seguir. Não interessa se o saldo foi bom ou ruim. No final tudo vira experiência e vai, automaticamente, para a sacola da vida. O importante mesmo é olhar para trás, observar os erros sem culpa e ter a certeza de que os acertos significaram muito mais.

Dezembro é mês de iluminar a casa para receber os amigos e familiares, de presentear as pessoas queridas, de agradecer, de comer sem culpa, de pedir desculpas e de sonhar ainda mais. É época de planejar os próximos 365 dias que virão. É tempo de dizer eu te amo para todos aqueles que moram no seu coração.

E para comemorar o ano que passou e desejar muitos dias felizes, com muita saúde, para todos vocês em 2012, selecionei três músicas que me fizeram esquecer os problemas e cantarolar bastante nos últimos 12 meses.

1 - Tulipa Ruiz - "A ordem das árvores" (http://www.youtube.com/watch?v=xIfiIXHcNhI&feature=related)
2 - Banda Eddie - "Veraneio" (http://www.youtube.com/watch?v=KZsrvHnRKg4&feature=related)
3 - Tibério Azul - "Veja só" (http://www.youtube.com/watch?v=rnTjCS4wo-s)

Curtam aí e aproveitem!!!

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Você conhece a Biota?

De junho de 2009 a novembro de 2011, mais de 80 tartarugas marinhas foram encontradas em praias de Maceió. Desse total, apenas sete estavam com vida e somente duas permaneceram vivas e conseguiram voltar para o mar. Os números são impressionantes e refletem o descaso do ser humano para com o meio ambiente, já que em quase 90% desses animais, foram encontrados resíduos da ação do antrópica, o que pode ter sido o motivo da causa mortis.

As informações acima foram repassadas pelo biólogo Bruno Stefanis, diretor-executivo da ONG Biota, que vem realizando um trabalho brilhante de proteção a esses animais marinhos. Formada por uma rede de voluntários com experiência em diversas áreas - biólogos, veterinário, enfermeira, advogado, contador e jornalista -, a Biota tem feito a diferença em Alagoas quando o assunto é tartarugas e mamíferos aquáticos (cuja incidência é bem menor no ).

Apesar da falta de apoio, sempre que uma tartaruga é encontrada morta nas praias de Maceió, a ONG realiza a identificação, medição, avaliação externa, necropsia ou coleta de material biológico, reunindo material suficiente para subsidiar futuras pesquisas. Quando o animal está vivo, ele é levado para a sede da instituição e passar por um processo de reabilitação, o que requer atenção e disponibilidade por parte dos voluntários. Foi o caso da tartaruga-verde batizada de Sara, que passou 22 dias na sede da Biota recebendo todos os cuidados necessários para se recuperar de uma pneumonia, uma obstrução intestinal e uma fissura no casco, até poder voltar ao habitat natural, o que aconteceu no último dia 31 de outubro, deixando todos que participaram do processo de recuperação do animal muito felizes, com a sensação de dever cumprido.

Ao longo de mais de dois anos de trabalho, a ONG já conquistou uma rede de colaboradores que fica "de olho" no que acontece nas praias e informa sempre que uma tartaruga ou mamífero marinho é encontrado. Essa semana, por exemplo, foi graças a esses colaboradores que a Biota pode acompanhar a desova de duas tartarugas - uma "cabeçuda" e uma "de pente" - em duas praias de Maceió. Juntas, elas depositaram 266 ovos na areia. Depois de as mamães tartarugas cumprirem o papel de desovar e voltarem para o mar, tem início o trabalho da Biota, que consiste em garantir que os filhotes nasçam. Para isso, sempre que necessário, os voluntários da ONG levam os ovos para um lugar seguro, longe dos banhistas.

Dos 266 ovos deixados nas praias alagoanas essa semana, apenas 60% devem eclodir num período que vai de 45 a 60 dias, mas poucos filhotes conseguem chegar à fase adulta, já que a média de sobrevivência das tartarugas é de uma para cada mil nascidas vivas. Um ciclo de vida um tanto quanto cruel, que pode estar sendo ainda mais prejudicado por conta da ação humana.

Segundo Bruno Stefanis, não é possível afirmar que as tartarugas encontradas nas praias de Maceió tenham sido vítimas da ação humana, já que muitas delas são achadas em avançado estado de decomposição, mas a presença de plástico no estômago e intestino desses animais sinalizam que a possibilidade existe, é real. Segundo ele, resíduos como tampas de refrigerante, bola de sopro e até tecla de computador já foram encontradas dentro de tartatugas em Maceió. 

É por isso tudo que o trabalho da Biota deve ser divulgado. Para quem quiser contribuir com informações ou qualquer outro tipo de apoio basta acessar o site www.institutobiota.org.br ou entrar em contato pelos telefones (82) 8815-0444 ou (82) 9115-5516. 

PS.: A foto foi tirada pela equipe da Biota logo depois que a tartaruga desovou e seguiu em direção ao mar.