sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Você conhece a Biota?

De junho de 2009 a novembro de 2011, mais de 80 tartarugas marinhas foram encontradas em praias de Maceió. Desse total, apenas sete estavam com vida e somente duas permaneceram vivas e conseguiram voltar para o mar. Os números são impressionantes e refletem o descaso do ser humano para com o meio ambiente, já que em quase 90% desses animais, foram encontrados resíduos da ação do antrópica, o que pode ter sido o motivo da causa mortis.

As informações acima foram repassadas pelo biólogo Bruno Stefanis, diretor-executivo da ONG Biota, que vem realizando um trabalho brilhante de proteção a esses animais marinhos. Formada por uma rede de voluntários com experiência em diversas áreas - biólogos, veterinário, enfermeira, advogado, contador e jornalista -, a Biota tem feito a diferença em Alagoas quando o assunto é tartarugas e mamíferos aquáticos (cuja incidência é bem menor no ).

Apesar da falta de apoio, sempre que uma tartaruga é encontrada morta nas praias de Maceió, a ONG realiza a identificação, medição, avaliação externa, necropsia ou coleta de material biológico, reunindo material suficiente para subsidiar futuras pesquisas. Quando o animal está vivo, ele é levado para a sede da instituição e passar por um processo de reabilitação, o que requer atenção e disponibilidade por parte dos voluntários. Foi o caso da tartaruga-verde batizada de Sara, que passou 22 dias na sede da Biota recebendo todos os cuidados necessários para se recuperar de uma pneumonia, uma obstrução intestinal e uma fissura no casco, até poder voltar ao habitat natural, o que aconteceu no último dia 31 de outubro, deixando todos que participaram do processo de recuperação do animal muito felizes, com a sensação de dever cumprido.

Ao longo de mais de dois anos de trabalho, a ONG já conquistou uma rede de colaboradores que fica "de olho" no que acontece nas praias e informa sempre que uma tartaruga ou mamífero marinho é encontrado. Essa semana, por exemplo, foi graças a esses colaboradores que a Biota pode acompanhar a desova de duas tartarugas - uma "cabeçuda" e uma "de pente" - em duas praias de Maceió. Juntas, elas depositaram 266 ovos na areia. Depois de as mamães tartarugas cumprirem o papel de desovar e voltarem para o mar, tem início o trabalho da Biota, que consiste em garantir que os filhotes nasçam. Para isso, sempre que necessário, os voluntários da ONG levam os ovos para um lugar seguro, longe dos banhistas.

Dos 266 ovos deixados nas praias alagoanas essa semana, apenas 60% devem eclodir num período que vai de 45 a 60 dias, mas poucos filhotes conseguem chegar à fase adulta, já que a média de sobrevivência das tartarugas é de uma para cada mil nascidas vivas. Um ciclo de vida um tanto quanto cruel, que pode estar sendo ainda mais prejudicado por conta da ação humana.

Segundo Bruno Stefanis, não é possível afirmar que as tartarugas encontradas nas praias de Maceió tenham sido vítimas da ação humana, já que muitas delas são achadas em avançado estado de decomposição, mas a presença de plástico no estômago e intestino desses animais sinalizam que a possibilidade existe, é real. Segundo ele, resíduos como tampas de refrigerante, bola de sopro e até tecla de computador já foram encontradas dentro de tartatugas em Maceió. 

É por isso tudo que o trabalho da Biota deve ser divulgado. Para quem quiser contribuir com informações ou qualquer outro tipo de apoio basta acessar o site www.institutobiota.org.br ou entrar em contato pelos telefones (82) 8815-0444 ou (82) 9115-5516. 

PS.: A foto foi tirada pela equipe da Biota logo depois que a tartaruga desovou e seguiu em direção ao mar.

4 comentários:

  1. Ficou muito linda a reportagem! Parabéns Jamylle.

    Atc,
    Bruno Stefanis

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  2. Tartaruguinhas me comovem.

    Beijos, flor.

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  3. Sustentabilidade, conscientização, natureza, vida... vida longa. boa querida Jamy!

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  4. Seu blog nao ta atualizando nos meus feeds...achei que tinha sumido kkkkkk.
    Beijos

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