domingo, 30 de outubro de 2011

Uma pausa para falar de jornalismo

Falar sobre a nossa profissão com quem já está há anos no batente é sempre bom e geralmente representa uma injeção de ânimo para quem às vezes se pergunta onde o jornalismo vai nos levar. Ser jornalista hoje não é fácil, mas há quem diga que já foi muito pior. Profissionais que enfrentaram a censura e foram obrigados a se calar diante dos fatos sabem bem disso. Essa semana, durante a V Bienal Internacional do Livro de Alagoas, pude estar presente em um bate-papo muito legal com os feras Fernando Morais, Ricardo Kotscho e Audálio Dantas, jornalistas com quase 50 anos de carreira e que, apesar das dificuldades, continuam a amar o ofício que escolheram.

A mesa redonda deveria ser sobre jornalismo literário, mas foi muito além disso. Até porque, como eles mesmos dizem, no jornalismo não devem existir divisões. Fernando Morais, por exemplo, chama a atenção para a redundância do termo jornalismo investigativo, afinal, todo jornalista tem que ter um pouco de investigador, a ponto de sair da redação com uma pauta (muitas vezes sem pé nem cabeça) e voltar com conteúdo suficiente para escrever uma boa história. Voltar de bloquinho vazio, nem pensar!

Um assunto que veio à tona durante o debate e que já tinha me chamado a atenção em outras ocasiões foi o futuro do jornal impresso, com a expansão da internet. Assim como eu, eles não acreditam que o surgimento de novos veículos - como os sites de notícias - signifique a destruição do impresso. O fato é que o jornal terá que passar por algumas modificações para ter um diferencial diante dos portais de notícias. Ninguém vai querer ler nos jornais de amanhã a mesma notícia que já está em um site hoje, a não ser que esses jornais tragam algo especial, abordem o assunto de outra maneira, sob outro viés. E é isso que tem que acontecer! Em outras palavras, as reportagens representam o futuro do jornal impresso. Investir nelas é fundamental para ele sobreviver.

A busca por personagens que rendam boas histórias também foi um assunto levantado durante o debate. Coincidentemente, um amigo me perguntou essa semana o que eu mais gostava de fazer dentro do jornalismo. A minha resposta foi imediata: "Gosto de ir pra rua, conhecer pessoas e ouvir histórias. Lugar de jornalista é na rua". Depois de ouvir Ricardo Kotscho contar que viajou para cobrir um determinado evento e voltou com uma matéria totalmente diferente, que abordava a vida de um personagem que ele havia encontrado, reforço ainda mais o meu pensamento sobre o ofício de jornalista.

Concordo que o profissional deve contar com um pouco de sorte para conseguir boas histórias, mas também acho que a determinação do profissional é fundamental para essa "sorte acontecer". O bom jornalista não se acomoda com a pauta que tem em mãos, mas busca algo mais sempre, mesmo que o tempo seja curto e o trabalho, grande!

Abaixo, destaco algumas frases ditas pelos feras do jornalismo durante o debate:

"Não acredito que a internet esteja destruindo a imprensa diária, mas que ela vai ter que passar por modificações para sobreviver". (Ricardo Kotscho)

"Os jornais vão ser empurrados para as grandes reportagens". (Fernando Morais)

"Os repórteres estão se transformando em caçadores de aspas". (Ricardo Kotscho)

"Estamos aqui hoje pela insistência". (Fernando Morais)

"Nós estamos tendo a oportunidade de testemunhar uma revolução". (Fernando Morais)

"Jornalismo é a única profissão do mundo onde se briga para trabalhar" (Ricardo Kotscho)


Ps.: As fotos foram tiradas pelo repórter fotográfico Ailton Cruz (http://blogdobirrada.blogspot.com/).

6 comentários:

  1. De parabéns por suas observações sobre sua profissão. É lamentável quando falsos profissionais bricando com mentiras e expondo pessoas sem os elementos necessários. Não sou jornalista mas admiro muito os verdadeiros. Toque a vida em frete com fé, saúde e paz.

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  2. Que post cheio de paixão, Jamylle!

    Meu pai é jornalista e compartilha da tua visão.

    Beijo grande, flor.

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  3. É compartilho das visões dos novos velhos dinossauros jornalístico e da tua. Viva o Jornalismo! A última vez que estive no mesmo lugar - pessoalmente - com Kotscho foi em Brasília. óTimo texto querida com toda sua paixão. beijos
    Ah voltei a postar poesias às terças, crônicas às quintas e minicontos aos sábados rs bom diaaa

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  4. Jornalismo, o que é? Acho que um fato bem contado, aliado a lireatura ou a história define o que é a nossa profissão. E essa interação com bons profissionais estimulam o desenvolvimento da escrita (e da leitura). Ponto para a Bienal!

    Bj do Evilásio!

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  5. Jornalismo, o que é? Acho que um fato bem contado, aliado a literatura ou a história define o que é a nossa profissão. E essa interação com bons profissionais estimulam o desenvolvimento da escrita (e da leitura). Ponto para a Bienal!

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  6. Ouvir os grandes pensadores da profissão, as pessoas bem-sucedidas na área que escolhemos é sempre revigorante. Nos anima a continuar e faz-nos criar verdadeiro senso crítico e não sermos levados pela correnteza.
    beijos e ótima semana

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